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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Vale do Paraíba se destaca na produção leiteira

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Segundo levantamento da Cati-Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, as propriedades da região do Vale do Paraíba geraram, em 2016, mais de 219 milhões de litros de leite. Só na área de Guaratinguetá, que compreende 18 municípios, a produção superou os 129,7 milhões de litros, colocando a micro região como a maior bacia leiteira, na comparação com as 40 regionais agrícolas do Estado. Pindamonhangaba, que compreende 21 cidades, ocupa a terceira colocação do ranking, com 89,4 milhões de litros.
“Entre os fatores que contribuem para esse resultado, estão tradição, muitas décadas de experiência e conhecimento técnico da atividade, com a importante contribuição do cooperativismo e da sinergia entre entidades representativas do setor, aliadas à constante orientação de assistência técnica e extensão rural”, disse Jovino Ferreira Neto, diretor técnico da Cati de Guaratinguetá.
Como desafio para os próximos anos, o representante do órgão estadual destaca a necessidade de mais investimentos em capacitações. “Estamos apostando na execução de um programa regional que, contando com a sinergia de entidades dos setores público e privado, vai elevar a produtividade do rebanho, transformando a Região num polo de excelência em qualidade do leite.”

sábado, 12 de agosto de 2017

Na rota da produtividade

Crédito: Eduardo Monteiro

"Invisto sempre nos ganhos de rendimento da lavoura e não sou de perder uma boa oportunidade de negócio”Argino Bedin,produtor de Sorriso (MT) (Crédito: Eduardo Monteiro)

A saga de um repórter que acompanhou parte do Rally da Safra, o maior projeto brasileiro de monitoramento de lavouras, na região mais produtiva de Mato Grosso

Não foi uma tarefa fácil sair da fria capital paulista, na manhã do dia 8 de maio, e desembarcar na tórrida cidade de Sinop, município do norte do Estado de Mato Grosso. O trajeto de dois mil quilômetros em apenas um vôo, caso existisse uma linha área direta, duraria pouco mais de três horas. No entanto, o percurso real foi de 2,6 mil quilômetros em três vôos que duraram seis horas. A peregrinação aérea passou por Curitiba e Londrina (PR), mais a capital Cuiabá, antes do destino final. Naquela tarde, os termômetros do aeroporto de Sinop marcavam 36 graus. Mas chegar à cidade nem se comparava com a que estava por vir: uma expedição de cinco dias pelo mar de lavouras de milho em que o Mato Grosso vem se transformando depois da colheita da soja na primeira safra. É que o Estado se tornou o maior produtor do cereal no País, cultivando quase todo o milho na segunda safra. Na primeira, neste ciclo, foram somente 250 mil hectares. Mas na segunda safra, entre janeiro e meados de março, os agricultores plantaram 7,4 milhões de hectares. E vão colher, até julho, 24,7 milhões de toneladas, volume 64% superior ao ciclo 2015/2016, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Saber o que pensam o produtores, como eles vêm trabalhando a terra e os desafios da aprendizagem na gestão do negócio do milho é fundamental para o desenvolvimento das safras que virão pela frente. Não por acaso, há uma década o Mato Grosso produzia 3,3 milhões de toneladas na segunda safra. “Nesta safra, tanto o clima como o profissionalismo do produtor ajudaram muito a chegar nesse resultado”, diz a agrônoma Heloísa Melo, da consultoria catarinense Agroconsult. “A comercialização está sendo um problema porque o produtor deixou de fazer as vendas antecipadas em alguns casos.”

Venda antecipada: Bernardo Chiarelotto (à dir.) e seu filho Diogo, da fazenda São Francisco, em Cláudia só travaram 10% da produção (Crédito:Eduardo Monteiro)

Melo fala com propriedade. Ela é a responsável pela coordenação de um grupo de 16 pessoas para monitorar o maior polo produtor de Mato Grosso, a região do Médio-Norte para a expedição Rally da Safra. O rally é o maior projeto do País de monitoramento de lavouras, promovido pela Agroconsult. A partir de Sinop, engenheiros agrônomos, técnicos, estudantes de agronomia, mais a reportagem da revista DINHEIRO RURAL, embarcaram em uma etapa do projeto, a bordo de quatro picapes com tração nas quatro rodas. Estavam por vir estradas com trechos muitas vezes esburacados, e a travessia por pontes nada confiáveis. O caminho percorrido foi de cerca de 6,3 mil quilômetros pela BR 163, passando pelos municípios de Cláudia, Vera, Nova Ubiratã, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, até a chegada a Cuiabá. Neste ano, o Rally da Safra, que acontece desde 2003, percorreu 95 mil quilômetros por lavouras de milho de 11 Estados, com o final da expedição no início deste mês. “Nessa região de Mato Grosso, os dados coletados no percurso ainda precisam ser analisados com profundidade, mas já foi possível uma constatação: as lavouras expressaram uma produtividade muito próxima ao seu potencial”, diz Melo. Coletando dados, como o tamanho das espigas, o espaço entre as plantas e a quantidade de pés de milho por metro, ali mesmo já era possível ver que o Médio-Norte de fato deixava para trás as marcas de uma temporada muito ruim. A safra passada, a 2015/2016, foi uma das piores da história do milho safrinha, por causa da seca que assolou Mato Grosso. A queda chegou a 25,8% e os produtores colheram somente 15 milhões de toneladas. Para a Conab, a região do Médio-Norte deve apresentar uma produtividade média de 5,7 mil quilos por hectare, ante 3,9 mil na safra passada.
Nessa etapa, o Rally colheu cerca de 300 amostras de dados. Uma delas foi na fazenda Santa Anastácia, de 14 mil hectares no município de Sorriso. Ela pertence ao gaúcho Argino Bedin, que cultiva milho e soja há 35 anos na região. Bedin conhece bem a fórmula para não perder dinheiro. Seu segredo? “Invisto sempre nos ganhos de rendimento da lavoura e não sou de perder uma boa oportunidade de negócio”, diz Bedin. É por isso que ele mantém uma das fazendas mais estruturadas da região, com unidades de armazenamento com capacidade para 84 milhões de toneladas e um pátio de máquinas com 27 colhedeiras, plantadeiras de até 60 linhas e seis tratores, alguns gigantes de esteira para evitar a compactação do solo. Em meados de outubro do ano passado, Bedin fechou a venda antecipada de 69,2% de sua produção por R$ 18 a saca. “Nessa época, o milho estava num pico de bons preços e por isso não perdi a oportunidade”, diz ele. De fala mansa, focado, Bedin sabe que com o milho, o bom negócio é administrar os ciclos. Isso porque nos últimos anos, definitivamente o cereal brasileiro entrou na pauta de exportação e lá fora a produção americana tem peso. Os americanos, os maiores produtores do mundo, vão colher nesta safra 366,54 milhões de toneladas, 6,5% acima da anterior. “Tudo depende dos americanos”, diz Bedin. “Se eles vão bem, nós não ficamos tão bem, e por isso os preços estão mais baixos.” De acordo com o produtor, o valor da saca de 60 quilos de milho, em meados de outubro do ano passado, que já não era tão alto, estava em torno de R$ 18. Hoje, o preço é de cerca de R$ 15. “Na safra passada tivemos uma colheita ruim, com preços bons. Nesta safra, os preços que estão ruins”, diz o produtor. Mas não para ele. Pela venda antecipada, o produtor vai faturar R$ 16,2 milhões somente com o cereal. Ele plantou dez mil hectares, praticamente o total de sua área, e deve fechar a colheita no final deste mês com uma produtividade de 130 sacas de 60 quilos de milho por hectare, 30% a mais que na safra 2015/2016.

Divulgação

Bedin faz parte de um grupo de produtores que estão atentos ao mercado e não são de especular. Esse grupo hoje comercializa de forma antecipada metade da produção do milho de Mato Grosso. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até o dia 19 de maio, 13,1 milhões de toneladas, volume equivalente a 46,7% da produção estavam travadas com vendas futuras. Mas, para os analistas de mercado, na comparação com a safra passada esse índice foi baixo. Nessa mesma época, em 2016 já se registrava 15,8 milhões de toneladas da produção comercializada, 82,7% da safra. Para André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador geral do Rally da Safra, é necessário que o produtor evolua mais nessa prática porque é a forma do produtor garantir a cobertura de seus custos. “Essa mudança está ocorrendo muito lentamente”, diz Pessoa. “Falta ainda uma boa educação financeira para que o produtor passe a usar mais ferramentas de venda antecipada, via contratos a termo com as tradings ou indústrias. Também com contratos futuros ou derivativos na B3 ou, ainda, usar ambos.”

Em movimento: foram cerca de 6,5 mil quilômetros rodados pela equipe do Rally da Safra em Mato Grosso. O constante trânsito de caminhões de grãos (acima.) anunciam o recorde da produção (Crédito:Divulgação)
Divulgação

Pela janela da picape, o que se vê é um Mato Grosso exuberante, com verde até onde a vista alcança. Áreas de mata, pasto e lavoura se misturam na velocidade que a estrada permite. Mas nessa época, nada se compara à imensidão das lavouras de milho, cheias de espigas granadas, no máximo de sua carga genética permitida. O Médio-Norte, o maior polo de produção desse grão no Estado, também vai no limite. Nesta safra, a região vai colher 12,3 milhões de toneladas, volume equivalente a 43,6% da produção do cereal mato-grossense. O milho, juntamente com a pioneira soja, faz os municípios crescerem aceleradamente. Engana-se quem pensa encontrar cidades formadas por um centro comercial tímido, cercado por revendas de insumos agrícolas. A agricultura do Médio-Norte faz cidades de comércio pujante, com ruas nas quais as lojas de vestuário, decoração de alto padrão, bares descontraídos e as concessionárias de veículos se compararem ao padrão encontrado em grandes cidades do País, como São Paulo, por exemplo. “É impressionante como a riqueza da agricultura transformou a região”, diz Melo. Não é por acaso que cidades como Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde estejam enquadradas e uma alta faixa no Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM), calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Lucas do Rio Verde, por exemplo, ocupa a 249a posição entre os 5565 municípios brasileiros. Essas cidades vão contribuir para que o País colha, dentro de uma década, 140 milhões de toneladas de milho, ante 92,8 milhões nesta safra.
Para os produtores, a meta será alcançada mais rapidamente, quanto mais eficaz forem os aprendizados de como lidar com esse mercado. Nesta safra, por exemplo, Bernardo Chiarelotto, 72 anos, e seu filho Diogo, 34 anos, da fazenda São Francisco, de 1,7 mil hectares, no município de Cláudia, tiveram uma lição. Os produtores, que também utilizam tecnologias no mais alto grau, se esqueceram de olhar para os preços. Fizeram o mesmo que muitos outros produtores: aguardaram preços melhores, em função do ótimo desenvolvimento das lavouras. Mas eles não vieram. “Não nos preocupamos quando os preços estavam bons, em outubro do ano passado, porque compramos a vista todos os insumos, como sementes e fertilizantes”, diz Diogo. “A oportunidade passou na nossa frente, como um cavalo dado, e a deixamos escapar”, diz Bernardo.

Contando o resultado: equipe de campo mensurando uma das cerca de 300 amostras de dados de produtividade coletados (Crédito:Divulgação)

Com uma estimativa de produtividade de 110 sacas em cada um dos 780 hectares cultivados, que estão rendendo 5,1 mil toneladas, os agricultores fecharam apenas 10% de sua produção por R$ 16, em um contrato fechado em meados de janeiro. O que ocorreu na São Francisco foi um descuido que está custando caro, já que em anos anteriores a venda antecipada da safra sempre foi uma ferramenta utilizada. No ano passado, nessa mesma época, os produtores tinham travadas cerca de 90% da produção. Em Mato Grosso, o tempo não para, assim como o Rally, que segue em frente. “Agora estamos atrás dos leilões de milho do governo para garantir o preço mínimo”, diz Diogo. A expectativa é de uma receita de R$ 1,4 milhão com o cereal e uma melhor gestão na hora de vender na safra que vem.

fonte: Istoé Rural

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O dinâmico mercado de leite e derivados

O dinâmico mercado de leite e derivados
Realmente se existe um setor extremamente dinâmico é o do leite e seus derivados, segundo o presidente da Abiq, Fábio Scarcelli
“A diferença de preços praticados no início do segundo semestre de 2016 comparados com os de 2017, tanto para leite ao produtor como para os derivados, é significativo”, afirma Fábio Scarcelli, presidente da Abiq-Associação Brasileira da Indústria de Queijos. Segundo ele, essa volatilidade faz com o que o planejamento das indústrias produtoras de queijo nesse momento, deva ser feita com visão de curto prazo.
No seu entender, qualquer previsão a médio e longo prazos corre sério risco de grandes erros quer pela situação do suprimento da matéria prima a preços desejados, quer em termos do consumo, que ainda está muito instável, embora acredite que deva fechar o ano um pouco melhor do que em 2016.
Entre as ações previstas para este ano, a entidade anunciou que conseguiu definir junto ao Ministério da Agricultura o nome do requeijão com gordura vegetal e amido que passa a se denominar Produto Lácteo Fundido com Gordura Vegetal e Amido. Noutro front, citou a adesão ao Projeto Piloto de Logística Reversa de Embalagens Pós-Consumo no Estado de São Paulo, o que habilitará a entidade a participar das demais ações relativas ao tema.
“Com isso, os associados da Abiq que produzem ou vendem queijos no Estado de São Paulo participarão de um projeto conjunto de logística reversa que lhes poupará investimentos e recursos humanos caso as empresas tivessem que realizar individualmente a coleta pós consumo de suas embalagens.  O acordo evita transtornos às indústrias, além de poupar custos elevados e evitar unidades industriais sejam embargadas para produção e/ou comercialização dos produtos”, justificou.
Outra demanda, citada pelo dirigente, foi o encaminhamento junto à Câmara Setorial do Leite em Brasília do pleito elaborado com os demais países do Mercosul no âmbito da Fepale, referente às negociações com a União Europeia. “Solicitamos a exclusão dos lácteos dessa negociação por serem extremamente sensíveis à concorrência direta com o Bloco Europeu”, disse, observando que houve total aprovação do pleito pelos membros da Câmara Setorial.
Revista Balde Branco

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A carreira é na fazenda

Crédito: Divulgação

Por que o CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, aposta em treinamento intenso e monitora no campo o desempenho de sua equipe

Três vezes ao ano, o engenheiro agrônomo Aurélio Pavinato, 49 anos, CEO da SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de fibras e grãos no País, viaja de Porto Alegre, onde fica a sede do grupo gaúcho, para a região do Cerrado. Geralmente acompanhado de até sete diretores da companhia, ele toma um voo em avião fretado e vai conferir o trabalho realizado em 395 mil hectares de área de cultivo. São 14 fazendas de algodão, soja e milho, localizadas nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Maranhão e Piauí. “Essas viagens podem durar até três semanas”, diz Pavinato. Nesse tempo, a agenda é intensa. “Aproveitamos até o período de voo, quando avaliamos a fazenda de onde saímos e nos preparamos para a próxima parada”. O executivo está no grupo há 24 anos e se tornou CEO, em 2013, depois de ocupar vários cargos, incluindo o de diretor financeiro. Com capital aberto na BM&FBovespa desde 2007, a SLC faturou R$ 1,7 bilhão em 2016. No ano passado, no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL, ela foi a campeã em Gestão Corporativa na categoria Agronegócio Direto – Grandes Empresas.
Pavinato destaca a importância das viagens entre as suas principais tarefas como executivo. Por isso, ele não abre mão dessa rotina, mesmo com todas as inovações trazidas pela tecnologia, principalmente na comunicação, como as teleconferências e os grupos de WhatsApp. “O diálogo e a presença nas fazendas geram um maior comprometimento das equipes”, diz ele. A SLC conta com 2,3 mil funcionários fixos, dos quais 2,1 mil estão no campo, além da contratação de cerca de 900 temporários por safra, na época da colheita. Nos últimos anos, a substituição anual de mão de obra, que era de até 45% por período, caiu para 19%. “A permanência de cerca de 80% dos funcionários na empresa é um padrão aceitável”, afirma Pavinato. “Com isso, conseguimos treinar melhor as equipes e aumentar as promoções a cargos de direção e de coordenação, entre os nossos profissionais.” Prova disso é que 178 postos, dos 238 ocupantes desses cargos, foram preenchidos por promoções internas.
53De acordo com Marcelo Botelho, gerente da consultoria de recursos humanos Michael Page para o Norte e o Nordeste, manter os profissionais nas empresas é hoje um desafio para o agronegócio. “Por ser um mercado aquecido, mesmo nos períodos de crise, como agora, a movimentação da mão de obra é maior no agronegócio do que em outros setores da economia”, diz Botelho. Para ele, a SLC serve de exemplo como uma empresa que visa a manutenção de sua equipe. “Eles fazem com que os trabalhadores se sintam parte de algo maior do que uma empresa e percebam que existe uma série de princípios em sua base.” Não por acaso, cada vez mais, Pavinato tem incorporado como rotina na companhia os treinamentos visando também a qualidade de vida dos funcionários. Nos últimos cinco anos, a frequência de acidentes de trabalho caiu de 13 eventos por milhão de horas de atividade para 2,4 por milhão. “Há também um resultado econômico dessa redução”, diz ele. “Com afastamento do funcionário, cada acidente custa em média R$ 50 mil, segundo uma estimativa do mercado.” No ano passado, a meta na empresa era aplicar um mínimo de 50 horas de treinamento para os cargos com funções operacionais, mas acabou oferecendo 57 horas. Entre os profissionais de coordenação foram 107 horas de treinamento.
Pavinato diz que na SLC o investimento em pessoas mantém talentos indispensáveis à empresa. Ele próprio é um dos exemplos dos acertos da companhia. Em 1993, após terminar o curso de agronomia e o mestrado em ciência do solo na Universidade Federal de Santa Maria (RS), Pavinato foi contratado para criar uma área de planejamento agrícola. “Na época, a produção era em 24 mil hectares, área 15 vezes menor que a atual”, diz. “Lembro que o sonho eram propriedades com tamanho próximo de dez mil hectares, para termos escala de produção”. O sonho concretizado com sobra. Atualmente, cada unidade da companhia tem em torno de 50 mil hectares.
Para crescer junto com a empresa, Pavinato soube aproveitar as oportunidades. Por exemplo, a mudança da sede da SLC, que era em Horizontina (RS), onde a companhia nasceu, para Porto Alegre, nos anos 2000, abriu a possibilidade de um doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O curso foi na área de solos, tema que já havia norteado o seu mestrado. Mesmo nos últimos três anos, no comando da SLC, Pavinato conta que não deixou os estudos. Entre os cursos recentes estão o STC Executivo (Habilidades, Ferramentas e Competências, na sigla em inglês) e o PGA (Programa de Gestão Avançada), da Fundação Dom Cabral, de Nova Lima (MG). Nos dois casos, eles foram complementados no exterior, respectivamente nos Estados Unidos e na França. “Tive uma trajetória linear na empresa, primeiro com uma formação mais técnica, e depois com uma dedicação maior à administração da empresa”, afirma Pavinato. “Na SLC, acredito que os treinamentos podem abrir a possibilidade para que todos invistam no futuro.”

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Paixão pelo vinho leva Galvão Bueno a produzir uvas no Rio Grande do Sul

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São 40 anos de narrações esportivas. Fórmula 1, futebol, dez copas do mundo.  A figura tão conhecida da televisão também se aventura por outros gramados.
Nessa reportagem você conhece um Galvão Bueno diferente que do que estamos acostumados. A paixão pelos vinhos levou ele para o campo, para produção de uvas.
É montado num cavalo crioulo que ele gosta de ver de perto o desempenho das videiras. “É um dos maiores prazeres da minha vida, e uma realização pessoal sem tamanho”, afirma.
Galvão percorre os parreirais e acompanha o trabalho de colheita. “Eu comecei a conhecer os vinhos quando comecei a viajar pelo mundo. Aí eu também tive a oportunidade de conhecer vinhos de Portugal, Espanha, Itália, França. Conheci enólogos, visitei vinhedos e botei na cabeça: um dia vou fazer um vinho. E de uns anos pra cá, de 10 anos pra cá... Isso aqui é uma joia, na campanha gaúcha”, conta.
A fazenda de 108 hectares fica no município da Candiota, no Rio Grande do sul, no pampa gaúcho. A região é conhecida tradicionalmente pela pecuária, mas nos últimos anos vem se destacando pela produção de uvas para vinho, graças às características do ambiente, que formam o chamado terroir.
Terroir é uma expressão de final, de copa, de vegetação, de solo, do clima em geral”. O agrônomo Edvard Kohn, o Edinho, explica que uma das principais vantagens da região são os verões mais secos, clima ideal para a fase de maturação dos frutos. Diferentemente das uvas de mesa, que se destacam pela qualidade da polpa, nas uvas para vinho, casca e sementes têm muito valor. Por isso, o fruto não precisa ser graúdo para ser bom.
“O que mais importa é a relação casca/polpa. Por exemplo, se eu colher cachos pequenos, bagas pequenas, eu vou ter uma relação muito menor, vou ter vinhos menos diluídos, mais encorpados. Quando a baga ficar muito grande eu vou ter um volume maior de polpa, de líquido para uma superfície menor de casca e de sementes, que é onde estão os compostos aromáticos, os taninos mais macios. A cor tá na casaca, os aromas estão na casca”, explica.
Só de videiras, são 30 hectares plantados. Entre as uvas cultivadas estão a petit verdot, a cabernet sauvignon, e a merlot, a preferida de Galvão. “Cada país tem sua bandeira, a bandeira da Argentina é o malbec, do Chile, o cabernet sauvignon, A do Brasil tem que ser o merlot. É o q faz o gol”, afirma.
Galvão está satisfeito com os resultados. “Um recadinho que me foi dado por um mestre dos vinhos Michael Roland, francês. Ele me disse: ‘Galvão, o problema do vinho brasileiro não é qualidade, é o preconceito’. Temos qualidade, a indústria do vinho do Brasil cresce a cada dia, porquê se tomar um vinho dos vizinhos com menor qualidade do que aquele que nós fazemos aqui?”, questiona.
As uvas colhidas no vinhedo são levadas para a cantina de uma vinícola que fica a poucos quilômetros da propriedade. Os frutos passam pela primeira etapa de processamento. A finalização, a parte de envelhecimento em barricas, é feita numa unidade de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
“A uva tinta é prensada imediatamente, por isso no vinho rosé não solta cor. Ele vai pra fermentação sem a presença da casca, como se fosse um vinho branco, nesse caso é um rosé”, explica o enólogo.
O enólogo responsável pela produção de Galvão Bueno é italiano, mas Adriano Miolo e Miguel Almeida, também enólogos, auxiliam no processo de transformação das uvas em vinho. “Este vinho vai ter duas fermentações, uma em ambiente aberto e depois tem uma fermentação fechada na garrafa. É daí que vem a perlage. Nos espumantes, quanto menor for a perlage, ou a bolinha, melhor qualidade vai ter o vinho”, explica Miguel e Galvão.
Acompanhar o processamento também faz parte da rotina do Galvão quando ele está no Rio Grande do Sul. “Eu não sou enólogo, não sou somelier, não sou enófilo – porque detesto a palavra - eu tento não ser enochato, mas aos pouquinhos acho que aprendi um pouco”, diz.
O Galvão separou alguns dos vinhos produzidos por sua vinícola, entre eles um pinot noir. “Esse pinot expressa de fato o terroir da campanha. Ele tem uma expressão forte de fruta inicialmente, uma acidez equilibrada, muito agradável, muito fácil de tomar”, diz Adriano.
O primeiro vinho produzido pela vinícola, é um tinto feito com uma mistura de uvas. “Esse é aquele que eu digo... que precisa dar um tempo a ele. Ele está ganhando oxigênio... O álcool se transforma em buquê”.
“Acho que tudo que eu fiz até agora foi uma declaração de amor, tenho paixão, por aquilo que nós fazemos, tenho paixão pelos vinhos, acho cada um deles uma obra de arte... Não sei aonde quero chegar como vinicultor, eu quero ser feliz, e fazer meus vinhos, e que as pessoas gostem. Saúde para vocês!”, declara Galvão.
Em alguns dos países onde mais se bebe vinho no mundo, como a França e Portugal, o consumo médio passa de 40 litros por pessoa por ano. No Brasil, esse consumo é de apenas dois litros! Temos muito o que crescer.
fonte: Glo bo Rural

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Bezerras: os cuidados com as recém-nascidas

Bezerras: os cuidados com as recém-nascidas
Um bom manejo do neonato é fundamental para o sucesso do sistema de produção de leite. Para isso, o roteiro é composto de vários detalhes. Confira!
Por Rafael Santana Ferraz, médico veterinário e consultor da equipe Leite do Rehagro
A criação de bezerras é uma etapa crítica do sistema de produção de gado leiteiro, pois possui custos elevados, além de computar taxas de mortalidade, morbidade por doenças, gastos de mão de obra e a nutrição própria da categoria. Então, para minimizar tais despesas, é necessário adotar um programa eficiente de criação na fazenda.
Para isso, inicialmente é necessário um planejamento reprodutivo, como decisão do peso para entrada à reprodução das novilhas, escolha do touro adequado e atenção em todo o período de gestação, em especial, nos dias próximos ao parto. Para as raças puras recomenda-se o peso à inseminação entre 360 e 400 kg; para mestiças, peso de 315 a 348 kg. Já a dificuldade de parto para novilhas deve estar abaixo de 8%, enquanto para vacas, 11%, com o objetivo de reduzir distocias.
As instalações também são de grande importância para o sucesso na criação de bezerras, pois fornecem à vaca e à bezerra condições adequadas para passar pelo momento crítico do parto. Os piquetes-maternidade devem ter boas condições de higiene, áreas bem ventiladas, porém sem grandes correntes de vento.
Devem também ser secas, com boa cobertura vegetal, boa drenagem do local, com fácil visualização do ambiente pela mão de obra para monitoramento dos partos, área de pelo menos 56 m²/ animal e 5m² de sombra/animal, devendo esta ser móvel para evitar o acúmulo de fezes e urina, e com 70 a 80 cm linear de espaçamento de cocho por animal.
O parto deve ser monitorado para se avaliar a progressão de saída da bezerra, que é mais importante do que o tempo do parto em si. É sabido que bezerras provenientes de partos laboriosos têm aumento na porcentagem de mortalidade pós-natal, porém, enquanto o neonato estiver ligado à mãe pelo cordão umbilical suas necessidades estarão supridas.
Por tudo isso, é reiterada a necessidade de acompanhamento para identificar a real necessidade de auxilio ao parto. Enquanto isso, deixar a matriz passar pelo momento do parto de forma mais tranquila possível é o mais indicado.
fonte: Revista Balde Branco

sábado, 15 de julho de 2017

Aves criadas livres precisam ter água e ração protegidas

Crédito: Divulgação
São Paulo, 8/3 – As granjas que criam aves livres, em sistemas alternativos como os que produzem carne e ovos orgânicos, não precisam ser teladas para seguirem as novas regras estabelecidas pelo Ministério da Agricultura para a prevenção da influenza aviária. A exigência para estes sistemas é a de que a água e a ração consumida pelas aves fiquem protegidas, fora do contato de animais silvestres. O Ministério da Agricultura divulgou, em 21 de fevereiro, em evento em São Paulo, regras mais rígidas para que granjas comerciais previnam a contaminação dos plantéis pela influenza aviária.
A questão das criações alternativas havia despertado dúvida porque, no dia do evento de assinatura das novas regras, ocorrido na sede da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, citou justamente os sistemas alternativos de avicultura, afirmando que havia “uma nova onda de bem-estar animal”, em que se prevê que as galinhas “fiquem soltas e vão passear de tarde para botar ovo à noite”. “Essas coisas vão na contramão do que estamos fazendo (…) Pode vir sugestão, reclamação, mas o Brasil não vai mexer com isso”, disse ele no dia.
O diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Ministério da Agricultura, Guilherme Marques, esclareceu ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) que esse sistema produtivo continua viável, “desde que se protejam as fontes de alimento e água”. Ou seja, desde que o acesso a essas fontes seja franqueado apenas às aves do plantel, e não aos animais silvestres. Marques informou que as normas de biossegurança para sistemas alternativos foram estabelecidas em 2007.
Segundo ele, a determinação de preservar o local de alimentação desses animais, entre outros detalhes, é capaz de mitigar o risco da doença. Nesse tipo de criação, as aves podem pastorear soltas, ao ar livre, em determinados períodos do dia. Ou seja, parte das instalações, como as áreas de pastoreio, não pode ser telada.
Já para a maioria das criações mais convencionais, entre as providências, está a obrigatoriedade de proteger com tela os galpões, a fim de evitar que aves silvestres – principais vetores da doença – tenham contato com os plantéis.
O detalhamento das normas que tornam a biossegurança na avicultura brasileira mais rígidas foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira, 3. As medidas estão sendo tomadas em virtude do aumento contínuo dos casos da doença em diversos partes do mundo, enquanto o Brasil é o único entre os principais produtores globais que nunca registrou casos.
Outras medidas
Quanto à entrada de produtos avícolas no País por meio da importação, Marques afirmou que o Ministério da Agricultura está fortalecendo seus controles de fronteiras e que a entrada itens como material genético ou pintos de um dia de países atingidos pela doença está suspensa, até que essas nações demonstrem que a situação está controlada em suas respectivas regiões.
Além disso, a pasta está investindo na atualização e na modernização de equipamentos que possam ajudar a identificar e controlar uma possível incidência da influenza de maneira mais eficaz e rápida. Entre as novas aquisições, o diretor do DSA informou que o governo importou dez equipamentos de eutanásia para aves, em um investimento de US$ 500 mil. “Estamos permanentemente monitorando a situação, estruturando e reestruturando as equipes de campo”, afirmou.
fonte: Istoé Rural

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A fina engenharia da cana

Crédito: GABRIEL REIS

Jacyr da Silva Costa Filho: único executivo do comando central da tereos que atua fora da frança, o executivo lidera a região brasil. o país é estratégico e pode alavancar o desempenho global, hoje próximo de E 5 bilhões em receitas (Crédito: GABRIEL REIS)

A francesa Tereos investe pesado no brasil e muda seus processos de gestão para produzir mais açúcar, etanol e bioeletricidade. Saiba como a subsidiária brasileira, que faturaR$ 10 bilhões anuais e representa25% dos negócios do grupo, estámudando para crescer mais

No interior de São Paulo, sete usinas de cana-de-açúcar se interligam por distâncias de, no máximo, 50 quilômetros. Elas formam uma rede de processamento de matéria-prima que recebeu 19,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/2017. No ciclo 2017/2018, o volume vai passar de 20 milhões de toneladas, embora a área permaneça a mesma. São gigantescos 300 mil hectares cultivados, para produzir 1,6 milhão de toneladas de açúcar, 63,6 milhões de litros de etanol e 1.017 gigawatts de energia para a rede elétrica nacional. Em 2015, essas usinas faturaram R$ 10,2 bilhões.


“É o que ocorre na operação que determina como vai ser o futuro da usina” Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro

O dados de 2016, que serão anunciados neste mês, ainda devem apresentar as receitas em franca ascensão. A certeza vem de um fato: essa estrutura produtiva, que pertence à cooperativa francesa Tereos, tem passado por processos de refinamento de gestão do negócio que estão dando fôlego extra para a companhia. “O Brasil é estratégico para a Tereos”, diz Jacyr da Silva Costa Filho, diretor da Região Brasil desde meados de 2013, cargo que faz parte da diretoria global do grupo. “A Tereos é a terceira maior produtora de açúcar do mundo e é muito difícil projetar o futuro sem contar com o potencial de expansão do Brasil, porque ele é muito grande.” Em receita, a Tereos está entre os três maiores grupos sucroenergéticos do País, atrás da Copersucar, pool de cerca de 50 usinas, e da Raízen, joint venture entre o empresário Rubens Ometto e a americana Shell. A filial brasileira representa 25% das receitas do grupo francês.
O Brasil possui hoje 8,8 milhões de hectares de lavouras de cana-de-açúcar. Esse mar verde é maior que a área de países ricos como a Áustria, com uma economia baseada em serviços, ou como os Emirados Árabes, dono de 6% das reservas mundiais de petróleo. Aqui, a plantação de cana é concentrada na região Centro-Sul, que compreende os Estados de São Paulo, onde está a maior produção, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Na safra 2017/2018, o Centro-Sul vai processar 585 milhões de toneladas de cana, quase três vezes mais se comparado ao que se fazia há duas décadas. Mas, embora o setor seja gigante, nas últimas safras as usinas vêm sofrendo com a produtividade em queda. Nesta safra, por exemplo, por causa da substituição de velhos canaviais, o que significa plantas jovens no campo, a moagem das usinas deve recuar cerca de 3,5%, de acordo com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Como enfrentar esse cenário? “É ter foco na operação”, diz Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro e membro do Conselho Nacional de Política Energética, órgão de assessoramento da Presidência da República para a formulação de políticas e diretrizes de energia. “É o que ocorre na operação que determina como vai ser o futuro da usina. Isso pode mostrar quais empresas se superam e seguem em frente.” Desde a crise econômica de 2008, das 437 usinas que operavam no País, 82 foram fechadas por não resistirem às políticas públicas adotadas para o setor. Essas usinas não devem retornar ao mercado. Às que sobreviveram, restou investir em produtividade para seguir crescendo. “É o aumento da eficiência que tem levado ao saneamento causado pela crise”, afirma Nastari. “Os investimentos no setor não ficaram zerados nesse período.” A Tereos é o melhor exemplo disso.
Raul Guaragna: para o diretor de operações industriais, cada 1% de açúcar recuperado durante o seu processamento, pode significar um adicional de até R$ 40 milhões na receita anual da empresa
As últimas duas safras de cana testemunharam grandes mudanças na companhia. A maior delas foi a compra da parte da Petrobras, que detinha 49% da Tereos. Com o novo Plano de Negócios e Gestão 2017/2021, a estatal anunciou a saída integral do setor de produção de biocombustíveis. No início deste ano, a Tereos investiu R$ 700 milhões e comprou a participação da Petrobras, antes que algum aventureiro o fizesse. De acordo com Costa Filho, essa é uma característica do grupo: investir onde enxerga oportunidades. No final da década de 1980, a Tereos foi a primeira a apostar no Leste Europeu, depois da queda do Muro de Berlim. Hoje, do total de 49 unidades industriais no mundo, três usinas estão na República Tcheca e uma, na Romênia. Em 2000, a Tereos também foi o primeiro grupo estrangeiro que investiu no setor de cana-de-açúcar no País, em uma parceria com a Cosan. Na época, quatro usinas formavam a Franco-Brasil Açúcar e Álcool (FBA), que em 2010 se transformou na Raízen. “Agora, com a compra da parte da Petrobras, adicionamos mais de nove milhões de toneladas de cana no nosso portfólio”, afirma Costa Filho. “Isso mostra a nossa confiança no setor e a capacidade de consolidarmos o investimento, produzindo mais e reduzindo custos”. No mundo, a cooperativa francesa, com 12 mil cooperados naquele país, faturou e 4,2 bilhões em 2015 e deve apresentar os dados de 2016 próximos de E 5 bilhões. A produção de açúcar, amidos e adoçantes também está na Europa, na África e na Ásia. No Brasil, é recente um projeto no município de Palmital (SP), para produzir amido de mandioca. Todo o grupo processa 44 milhões de toneladas de matérias-primas por ano, a partir do cultivo de uma área de um milhão de hectares, que inclui ainda beterraba, trigo, milho e batata, além de alfafa para ração animal. Somente em açúcar, a produção global é de 3,5 milhões de toneladas por ano. Para manter as operações, emprega 24 mil pessoas.
OPERAÇÃO O atual modelo de gestão brasileira da Tereos começou a ser resenhado em 2011, quando Costa Filho ainda ocupava o cargo de presidente da companhia. Hoje, ele não tem mais o papel de executivo, mas de estrategista do negócio. Foi a partir de 2013, com um CEO para cada unidade de negócio, cana e amido, que a equipe de gerentes iniciou um jogo focado em mudar processos.
Uma das figuras centrais desse movimento é o agrônomo Jaime José Stupiello, diretor agrícola, um profundo conhecedor e estudioso do potencial da cana-de-açúcar. Não por acaso, é ele que representa a Tereos no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), além de fazer parte do conselho técnico da fabricante de máquinas agrícolas John Deere para opinar sobre ajustes e mudanças em equipamentos. Na empresa, ele é o responsável pelo projeto Tereos 120, justamente para elevar a produtividade dos canaviais através do ajuste de máquinas e do uso racional de insumos. Nos últimos dois anos, o custo do plantio da cana saiu de R$ 8 mil o hectare, para R$ 6,3 mil, uma redução de 21%. “Mas podemos ir além”, diz Stupiello. “Já chegamos a ter produtividade de 90 toneladas de cana por hectare, na época do corte manual”, diz. Foi a mecanização acelerada dos últimos anos, mais rápida que a curva de aprendizagem, que ajudou a derrubar a produtividade. O mesmo ocorreu no País. Em São Paulo, por exemplo, a produtividade média do Estado foi de 77 toneladas por hectare, bem abaixo da subsidiária francesa. “Na Tereos, a produtividade está estagnada na faixa de 80 toneladas a 85 toneladas há alguns anos”, afirma Stupiello. “Agora, a meta é elevar a produção para a casa dos três dígitos.” No laboratório da companhia, sua equipe multiplica 30 novas variedades da planta, por ano. Em média, dez apresentam algum potencial. As que precisam ser testadas vão para o campo, plantadas manualmente. “É o que podemos fazer, enquanto a grande revolução do setor não chega”, afirma. Para ele, as tão sonhadas sementes de cana vão dar o grande salto agronômico no setor, como acontece nas culturas de soje e milho. A Tereos investe nessa inovação, apoiando as pesquisas do CTC. “Acredito que em três anos a tecnologia estará pronta.”
Nas operações industriais, a companhia também passou medir com lupa o desempenho. Para Raul Guaragna, diretor de operações industriais, não deixar que a matéria-prima se perca no processo significa dinheiro no bolso. “A eficiência industrial é fundamental”, afirma Guaragna. “Tirar o máximo de açúcar da cana mexe nos resultados da indústria.” Com o planejamento de 19 projetos de ajustes nas colhedeiras, caminhões, caldeiras e processos industriais, na safra 2015/2016 a Tereos ganhou R$ 12 milhões.
Na safra passada, foram R$ 11 milhões, dos quais R$ 7 milhões vieram do ganho de eficiência de um único projeto de ATR (sigla para Açúcar Total Recuperável). “Cada 1% de açúcar que eu recupero a mais, significa um adicional de até R$ 40 milhões na receita anual da Tereos”, afirma Guaragna. “Por isso é preciso atenção a todos os detalhes da operação, do caminhão à caldeira.” Em relação a equipamentos, por exemplo, a empresa possui um parque avaliado em R$ 300 milhões. São 800 equipamentos pesados, entre caminhões, colhedeiras, tratores e plantadeiras, e mais três mil implementos, de pulverizadores a drones. No ano passado, foram compradas 28 colhedeiras mais eficientes, para baixar o parque de 112 unidades para 100 unidades. “Estamos caminhando para 800 milhões de toneladas de cana colhida nesta safra e não podemos parar”, afirma o executivo.

Do laboratório para o campo: as variedades de cana-de-açúcar, com potencial produtivo são reproduzidas em estufa e com todo o cuidado plantadas à mão. O restante da lavoura é totalmente mecanizado
O que leva o Brasil a ser competitivo para as empresas é justamente ajustar processos. Pedro Barreto Fernandes, diretor do Itaú BBA e especialista no setor de cana-de-açúcar, diz que as maiores mudanças de performance têm ocorrido naquelas em que o centro passa a ser a produção. “O Brasil é atrativo pelos baixos custos e as usinas que vieram se ajustando têm conseguido resultados”, diz Fernandes. “Há três safras, o cenário era de preços depreciados no setor. Na safra passada eles se estabilizaram e neste ciclo, as usinas que investiram têm tido retorno.” No ano passado, por exemplo, a saca de 50 quilos de açúcar cristal custava R$ 100 no mercado atacadista paulista, o maior preço desde 2003. De acordo com o executivo, a Tereos é um dos grupos que estão se saindo muito bem, em meio a não mais do que 50 empresas do setor.
“A meta é elevar a produção para a casa dos três dígitos” Jaime José Stupiello, diretor agrícola
A costura de todo o processo da cadeia produtiva vem passando pelas mãos do diretor Carlos Martins Simões Júnior, diretor da cadeia de suprimentos, e pelo gerente de planejamento André Margoto, 32 anos, engenheiro de alimentos. Simões Júnior está na empresa há um ano, depois de trabalhar por uma década no setor de celulose, na Fibria, e outra década na Raízen. Margoto, que começou como estagiário na Tereos em 2008, é uma espécie de “professor Pardal” do ramo da Tecnologia da Informação. Desde 2011, é dele a concepção de um software de planejamento transversal que envolve toda a empresa, utilizando o conceito chamado Sales and Operations Planning (S&OP, na sigla em inglês), que trocando em miúdos significa ligar as operações de campo com a demanda do setor comercial. Chamado de Otimizador de Cenários de Negócios, o software, por exemplo, sabe onde determinada lavoura de cana está, de que tipo ela é, como deve ser moída, a distância relativa entre as usinas. Dentro das indústrias, conhece cada equipamento e suas capacidades. No comercial, sabe a lotação dos armazéns, as demandas dos clientes, os contratos fechados e os custos. “O software pode me dar uma orientação do tipo, pegue tal cana, processe naquela usina e não venda agora, mas daqui a três meses para determinado cliente”, afirma Margoto. “O programa já não é mais uma experiência, ele pode ajudar matematicamente na tomada de decisão.” Para Simões Filho, o sistema não poderia ter sido implantado há dois anos, porque não existiam os processos e nem a mentalidade madura da equipe. “E não é somente na Tereos”, afirma ele. “O agronegócio vem em uma jornada de amadurecimento de gestão do negócio desde 2005, mais precisamente nos últimos dez anos.”
Pesquisa em casa: todos os anos, cerca de 30 variedades de cana são multiplicadas em laboratório. Aquelas com potencial para entrar na linha de cultivo seguem em frente
Para Costa Filho, a transformação da Tereos é fundamental para sua missão na empresa. “Mais de 40% do nosso faturamento vem açúcar. O mercado global cresce anualmente entre dois milhões de toneladas e quatro milhões”, afirma ele. “O Brasil vai pegar parte desse mercado e nós estamos aqui. Além de acreditarmos que o País não vai perder o que já conquistou, que é o maior programa de biocombustíveis do mundo, reconhecido e invejado internacionalmente.” O Brasil vem produzido nas últimas safras em torno de 40 milhões de toneladas de açúcar e não tem concorrente. O segundo maior produtor é a Índia, com cerca de 23 a 28 milhões de toneladas. Costa Filho todos os meses desembarca em Paris para longas reuniões com a diretoria global da Tereos. Ele é o único diretor global que está fora da França. “A Tereos é uma cooperativa, que é dona de uma empresa no Brasil”, afirma ele. “Por conta dessa origem, prevalece a crença de que juntando forças é possível ir em frente. É nisso que apostamos.”
O “Waze da cana”
A Tereos tem no Brasil sete mil funcionários. Os programas de desenvolvimento profissional vêm ajudando a descobrir talentos como Sidney Antonio dos Santos, do departamento técnico, onde a equipe monitora todas as usinas. Santos tem 34 anos, já cursou a faculdade de engenharia elétrica e está fazendo agronomia. Mas, na empresa ele é conhecido como o criador do “Guarani Rota Certa”, um programa para smartphone no qual está todo o mapeamento dos canaviais. Na verdade, na Tereos Santos é conhecido como o criador do “Waze da Cana”, em referência ao aplicativo de trânsito e navegação. “Se a gente precisa ir a algum canavial, ou se chega um caminhoneiro que não conhece o caminho, é só ligar o aplicativo”, diz ele. “Está na palma da mão.” Santos está na empresa há 12 anos e ganhou um prêmio de inovação em 2014. Filho de colhedores de laranja na região, ele começou cortando cana na Tereos. “Eu sempre quis estudar e crescer na profissão”, diz ele. “Acho que estou no caminho.”

fonte: Istoé Rural

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Conheça medidas que geram bons resultados contra o carrapato do boi

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O carrapato é, há muito tempo, um dos principais inimigos da pecuária do Brasil. Ele se multiplica com facilidade, cria resistência aos tratamentos e causa prejuízo para produtores de carne e leite. Algumas ferramentas ajudam a enfrentar esse inimigo pequeno, mas poderoso. Agumas já existem, outras ainda passam por testes.
Eles estão espalhados em todos os continentes, em vários tipos de clima e todo tipo de bicho. Tem carrapato em boi, cavalo, cachorro, camelo, lagarto, urubu, morcego e até em pinguim. Ao todo, os cientistas já identificaram mais 900 espécies no mundo. 
“Carrapato é um araquinídeo, da mesma classe das aranhas e escorpiões, tem quatro pares de patas na fase adulta. Ele precisa se alimentar em um animal vertebrado, do sangue desse animal, para poder prosseguir o seu ciclo de vida. Hoje nós temos carrapatos parasitando em anfíbios, répteis, aves e mamíferos em praticamente todos os cantos do planeta”, explica o veterinário Marcelo Labruna, que estuda carrapatos há 20 anos na Faculdade de Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.
O veterinário explica que o carrapato do boi não é nativo do Brasil, mas sim de regiões quentes da Ásia. A espécie, que se chama Rhipicephalus microplus, chegou no país no período colonial, se adaptou bem ao clima e se tornou um pesadelo para os criadores.
O criador Jorge Tupirajá, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, trabalha com gado para a produção de carne há 30 anos. Para melhorar a qualidade do rebanho, investiu no cruzamento genético. O gado canchim é uma mistura do nelore com o gado charolês, que é europeu. Raças europeias são mais suscetíveis, porque elas vêm de lugares onde não há esse tipo de carrapato: “O carrapato deve ser a pior praga que existe na Terra. Ainda não se viu nada mais resistente e mais difícil de se combater”.
Casos como o de Jorge se repetem por todo o país. Segundo a Embrapa, o carrapato do boi gera por ano um prejuízo de mais de R$ 9 bilhões para a pecuária brasileira. A estimativa inclui custos com tratamento e os problemas diretos e indiretos provocados pelo parasita.
O carrapato do boi é um problema sério para a pecuária brasileira, porque ele prejudica a saúde do rebanho de diversas maneiras. A veterinária Cecília Veríssimo, do Instituto de Zootecnia, pesquisa o carrapato do boi há 32 anos e explica o mal que ele provoca nos animais: “Um animal pode chegar a ter dois mil carrapatos. A primeira consequência é a anemia. O sangue desaparece para os carrapatos. Ele também joga na corrente sanguínea substâncias que são prejudiciais ao bovino e podem causar intoxicação. Então, ele para de comer, vai ficando fraco. É uma coisa muito violenta para o animal”.
Com menos sangue e menos apetite, os animais podem perder peso e reduzir a produção de leite. Em grandes infestações, vacas prenhes podem abortar a cria. “Se a quantidade de carrapatos é muito grande dá problema na pele e isso predispõe à bicheira”, afirma a Cecília. Além disso, o carrapato do boi também pode transmitir uma doença grave: a tristeza parasitária bovina, que provoca febre e muitas vezes é fatal para os animais.
A luta contra o carrapato
Para evitar tantos problemas, cientistas brasileiros têm travado uma guerra ao carrapato do boi e vêm trabalhando em diversas frentes. Na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, o doutor em biologia molecular Renato Andreotti, coordena uma equipe que se dedica a estudar os carrapatos. Todas as espécies que chegam são catalogadas e fotografadas para o museu virtual do carrapato, um site que traz um banco de informações sobre os parasitas. Mas o foco principal é o carrapato do boi: “É um problema global, da Austrália, que é um grande mercado de produção de bovinos, passando pela África, América do Sul, México. Enfim, esse a carrapato é um problema mundial”.
Há cerca de15 anos os pesquisadores vêm trabalhando para encontrar uma forma de proteger o rebanho. Uma alternativa aos produtos químicos é a vacina contra o carrapato. Hoje, a eficácia dessa vacina é de 72%. Ainda não é o ideal, por isso o esforço é para aumentar esse índice.
A pesquisa quer chegar a 95% de eficiência da vacina. Nos últimos três anos, a pesquisa vem evoluindo com o estudo do genoma do carrapato, um mapeamento genético para que mais proteínas possam ser identificadas. “A vacina é uma proteína do carrapato que vai fazer uma produção de anticorpos quando injetado no bovino, levando carrapato à morte. Nós acreditamos que em dois anos teremos uma resposta mais forte do que temos atualmente”, explica Renato.
Carrapaticida para combate
Enquanto a vacina não chega à eficiência esperada, os pesquisadores estão trabalhando uma alternativa para controlar o carrapato. O parasita chega ao animal ainda na fase de larva, passa para a fase de ninfa, até se tornar um carrapato cheio de sangue pronto para cair. No pasto, a fêmea coloca em torno de três mil ovos que vão virar larvas. Na pastagem é possível ver as larvas de carrapato à espera do gado.
Quando as larvas estão prontas para atacar, elas podem sobreviver mais de 80 dias na pastagem. Então, uma das estratégias estudadas pela Embrapa é um programa de manejo, ou seja, ir trocando o gado de lugar de acordo com o ciclo do carrapato. A proposta usa como modelo uma área de 100 hectares, com 100 animais, dividida em quatro partes. A proposta exige investimento do produtor em manejo, mas segundo Renato, as vantagens compensam.
Mas a principal ferramenta usada pelos criadores na luta contra o carrapato é o carrapaticida, que mata os parasitas, um tipo de produto que muitas vezes esbarra em um problema. Uma grande dificuldade no combate ao carrapato do boi é que ele desenvolve resistência a produtos químicos. O criador aplica um carrapaticida no gado, a maior parte dos carrapatos morre, mas os que sobram se reproduzem e, com o tempo, vão formando uma população resistente ao produto. Surge um drama para o criador: como encontrar um carrapaticida que seja de fato eficiente?
O agrônomo Sérgio Costa conhece bem esse problema. Ele produz leite em Cachoeira Paulista, São Paulo, em uma propriedade com 200 vacas em lactação: “É uma dor de cabeça muito grande e que pesa muito na nossa planilha quando a gente vai ver os gastos com medicamentos. Dentre os medicamentos, o controle do carrapato certamente contribui em 60% do gasto com medicamentos”.
Para reduzir custos e melhorar o controle, Sérgio adotou uma manejo simples. Ele passou a enviar carrapatos do rebanho para uma análise em laboratório. É um teste que identifica o carrapaticida mais eficiente para o caso dele. A análise dos carrapatos pode ser feita pela Embrapa e também em lugares como o Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura de São Paulo. Confira no vídeo acima como funciona essa análise.
Além de identificar quais são os carrapaticidas mais eficientes para cada propriedade, esse tipo de teste também aponta qual deve ser o intervalo de aplicação dos produtos. Só que identificar o carrapaticida mais adequado pode não ser suficiente, afinal o controle bem feito depende também de uma boa aplicação.
Segundo a veterinária Cecília Verríssimo, alguns carrapaticidas devem ser colocados no dorso dos animais e outros pulverizados. Entre os pequenos produtores, o método mais usado é aplicação com pulverizadores costais. Ela alerta que carrapaticida é veneno e que os aplicadores devem sempre usar equipamentos de proteção e respeitar as instruções dos fabricantes, quanto a dosagem e carência dos produtos. Outro ponto decisivo é montar um calendário para repetir as aplicações, com intervalos que variam segundo o produto.
No caso de Sérgio Costa, as boas práticas na aplicação e os testes de laboratório trouxeram grandes mudanças para a saúde do rebanho. “Tem sido positivo o procedimento de envio do carrapato, de poder ter um resultado, saber qual o princípio ativo mais eficiente. Acho que é uma ferramenta extremamente eficiente que auxilia. Temos conseguido manter o rebanho limpo”, comemora.
Locais que recebem carrapatos para o teste de biocarrapaticidograma:
POLO REGIONAL RIBEIRÃO PRETO
Av. Bandeirantes, 2419 - Ribeirão Preto -SP
(16) 3637-1849
Márcia Mendes
INSTITUTO BIOLÓGICO - SÃO PAULO
Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252
(11) 5087-1707
Fernanda Duarte
fonte: Globo Rural
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