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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Gir Leiteiro, como o próprio nome diz

Gir Leiteiro, como o próprio nome diz

Em entrevista exclusiva, Tatiane Tetzner, a médica veterinária e gerente de produto leite Zebu na central CRV Lagoa, descreve o potencial da raça na pecuária leiteira do país

Por Nelson Rentero
 O Gir Leiteiro atual é fruto de ações concretas de criadores e selecionadores brasileiros que resgataram a principal função da raça na Índia, seu berço de origem, que sempre foi produzir leite. Programas de melhoramento genético investiram em tal virtude e tem feito animais modernos puros ou para cruzamentos, segundo Tatiana Tetzner, especialista na raça.
Recentemente lançou o livro Gir Leiteiro: a Nossa Raça, reunindo cerca de 15 anos de estudo e conhecimento envolvendo a raça zebuína. Tais predicados têm lhe dado o credenciamento como jurada de pista, considerada pioneira como mulher na função. Para isso venceu resistência com muita competência e abriu a porta para outras profissionais. Já julgou cerca de 100 exposições no país e no Exterior, avaliando até hoje mais de 15 mil animais, todos de raças de origem zebuína, sua especialidade e paixão.
Sobre essa experiência, o livro e a raça Gir Leiteiro, Tatiane concede esta entrevista exclusiva à Balde Branco. Com pleno conhecimento de causa fala da importância da raça que tanto admira dentro da pecuária leiteira brasileira, como rebanhos puros e como opção de cruzamento. Dá destaque especial à recente evolução genética da raça e os fatores que contribuíram para isso, como o programa de melhoria genética bancado pela ABCGIL-Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro e Embrapa Gado de Leite.
Balde Branco – Você acaba de lançar o livro Gir Leiteiro: a Nossa Raça. O que a levou a tal projeto?
Tatiane Tetzner – Na realidade o projeto do livro surgiu ao longo dos últimos anos em viagens por países latino-americanos – daí a versão bilíngue, português e espanhol. Escrevi para atender tanto aos pedidos de pecuaristas e técnicos do Brasil, como de pecuaristas e técnicos dos nossos países vizinhos, que muito me incentivaram nos últimos anos para registrar o que aprendi sobre o Zebu Leiteiro. Minha trajetória profissional com a raça começou ainda durante a graduação em medicina veterinária na Universidade Federal de Uberlândia e, principalmente, durante estágio na Embrapa Gado de Leite, quando conheci o pesquisador Mário Luiz Martinez e o médico veterinário Luiz Ronaldo de Oliveira Paula, duas referências no Gir Leiteiro e profissionais dedicados, que muito fizeram para que a raça conquistasse espaço na região tropical de nosso continente. De lá para cá se passaram 15 anos, um tempo em que muito aprendi sobre o Gir, sua docilidade ímpar, seu olhar incomparável, sua diversidade de pelagem e sua aptidão para produzir leite.
BB – Atribuir tal título ao livro tem um significado de muita responsabilidade ao Gir Leiteiro perante seu papel na pecuária leiteira brasileira. A sra. poderia explicar um pouco desta sua crença?
TT  A pecuária de leite no Brasil tem se modernizado e atingido patamares excepcionais nas últimas décadas. No entanto, vivemos a realidade de um país continente e com isso temos diversidades edafoclimáticas, predominando o clima tropical, quente e semiúmido, com uma estação chuvosa no verão e outra seca no inverno. Isso requer um gado que se adapte às essas condições. Com isso, a pecuária brasileira precisa de raças que possam contribuir com sua genética para sistema de produção a pasto, não só como raça pura, mas também em cruzamentos, pois otimizar os recursos existentes, como as pastagens, pode ser o ponto chave para o sucesso na atividade. É o que tem provado as raças zebuínas, adaptadas às condições tropicais, em regimes de produção de leite a pasto, extensivo ou semi extensivo. O gado zebuíno transforma muito bem a forragem em proteína animal de elevado valor biológico. Digo tudo isso, para chegar ao ponto essencial: o Gir Leiteiro tem papel fundamental na pecuária leiteira brasileira. Se analisarmos os históricos produtivos e de persistência de lactação das vacas Girolando nas décadas de 70, 80 e 90 e compararmos com os atuais, após a evolução e seleção do Gir Leiteiro, vamos concluir que temos um gado Girolando moderno, com excelente conformação funcional, capacidade corporal, sistema mamário com excepcional forma e volume, aparato suspensor forte e tetos corrigidos ao longo das gerações.
BB – Qual o papel do Programa Nacional de Melhoramento Genético nesse avanço?
TT – O programa, através do teste de progênie, auxiliou os selecionadores a definirem seus objetivos de seleção. E com a identificação de touros melhoradores em produção de leite e de características de conformação funcional linear, ganharam precisão os acasalamentos dirigidos, juntamente com a seleção de doadoras e cruzamentos. Todos esses passos resultaram no Girolando atual, fruto do cruzamento do melhor do Gir Leiteiro com o melhor do Holandês mundial. A contribuição do Gir Leiteiro para com o Girolando é notória. No passado, a raça Gir somente contribuía nos cruzamentos com características de rusticidade, longevidade, resistência a endo e ectoparasitas e adaptação a condições climáticas adversas; hoje, o Gir Leiteiro contribui também com características de conformação funcional, como capacidade corporal, força leiteira, características evolutivas em sistema mamário, bons aprumos e, claro, com maior produção de leite e persistência de lactação.
BB – Sabemos, então, que o Gir Leiteiro é uma das raças que mais tem se destacado em evolução genética no país. Quais fatores que a levaram ao atual status?
TT – O Gir Leiteiro atual é fruto de ações concretas de criadores e selecionadores brasileiros que resgataram a principal função do Gir na Índia, seu berço de origem, que sempre foi produzir leite. No Brasil, por décadas, alguns criadores desvirtuaram um pouco e selecionaram para produção de carne ou para dupla aptidão. No entanto, está no DNA da raça Gir produzir leite, desde os primórdios já apresentava aptidão leiteira, segundo relatos de indianos. Acredito que os principais fatores que levaram o Gir Leiteiro ao seu atual estágio é a somatória de esforços de criadores, pesquisadores e técnicos em traçarem claramente os objetivos de seleção, o início do teste de progênie e desenvolvimento do programa de melhoramento genético com foco em produção de leite e o controle leiteiro oficial dos rebanhos. Esse conhecimento dos touros melhoradores somado aos criteriosos programas de seleção de doadoras e acasalamentos dirigidos resultam em progênies superiores, e com isso a busca constante da evolução em tipo funcional e produtividade.
BB –  Na produção de leite comercial, o Gir Leiteiro deve prevalecer mesmo como matriz produtora ou como opção para cruzamento?

TT – Dependendo do sistema de produção, a matriz produtora de leite pode ser a fêmea Gir Leiteiro mesmo. Ou, então, essa fêmea pode ainda contribuir com sua genética para os cruzamentos e a obtenção da fêmea F1, que vai produzir leite em maior quantidade em função da heterose ou vigor híbrido. No entanto, estão surgindo nichos de mercado interessantes quanto à qualidade do leite e derivados lácteos que podem inserir as matrizes Gir Leiteiro como produtoras de um leite não alergênico, especial para pessoas intolerantes ao leite de uma forma geral, o leite A2. Estudos realizados com animais Gir Leiteiro apontaram que a raça apresenta uma maior frequência do alelo A2, em torno de 90%, em comparação com outras raças leiteiras. A Embrapa Gado de Leite realizou a genotipagem dos touros provados e touros em teste de progênie, com previsão de resultados para os próximos anos. A seleção de touros e matrizes genotipados beta caseína A2A2 irá garantir a melhor utilização nos acasalamentos em rebanhos que visam a produção de leite com maior valor agregado.

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