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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Maracujá roxo é nova opção para agricultores

Maracujá Roxo - Vida Rural
A produção de maracujá roxo é uma aposta em crescendo na zona de Sever do Vouga. O negócio está em arranque e as perspetivas são boas. Pela frente há um continente que importa maracujás e a região tem ótimas condições de cultivo.
O cultivo do maracujá roxo deixou de dar os primeiros passos, mas ainda se está a erguer. No centro do país tem vindo a crescer o número de agricultores que se dedicam à produção deste fruto subtropical.
A Green Center é pioneira neste cultivo, pelo que aprendeu com os próprios erros, até porque não se encontra bibliografia centrada em Portugal. Ainda assim, as primeiras armações para esta trepadeira são produtivas.
Eliana Silva é quem dá a voz por esta empresa familiar, de que fazem parte Miguel Martins (marido) e Nuno Martins (cunhado). Passaram-se dois anos desde a primeira plantação, e este é o primeiro em que os maracujazeiros dão fruta. Conseguiram-se duas colheitas, sendo possível uma terceira, em meados de novembro.
A escolha pela produção de maracujá não foi por acaso. A zona onde se cultivam situa-se junto a Sever do Vouga (autointitulada ‘capital do mirtilo’), que reúne as condições ideais de solo e clima. A altitude é também importante, estando as plantações da Green Center 363 m acima do nível médio da água do mar. O investimento próprio situou-se entre os 80 000 e os 82 000 euros, sendo comparticipados por apoios públicos. Os maracujazeiros apreciam solos argilosos com pH ácido e verões não muito quentes.
Eliana Silva diz que o mercado procura pequenos frutos e que pouco se cultiva na Europa, vindo a maioria da América do Sul. Após visitas a feiras internacionais, contactos com distribuidores e comerciantes encontrou-se a solução.
A razão da escolha do maracujá roxo é simples: é o único que vinga e que no mercado é consumido em fresco, o que significa melhor preço para o agricultor, explica Eliana Silva. Outros agricultores da zona têm iniciado plantações, o que já dá vontade de criar uma organização de produtores, conta a mesma responsável. Atualmente há cerca de dez produtores, mas mais 20 estão em fase de implantação, cada qual com cerca de 1,5 hectares.
Micropropagação é a técnica utilizada
A Green Center explora uma área de 5,5 hectares, divididos por uma parcela de 2,5 hectares e duas de 1,5 hectares. O compasso é de 1,60 metros por 2,5 metros na entrelinha, de modo a que o pomar possa ser mecanizado. Todavia, a colheita é manual. A armação é em pinho tratado. Inicialmente era em arame, mas hoje trabalham com rede de tutoragem.
A água é proveniente de furo próprio, o que permitiu regar os arbustos, pois este ano foi seco e a planta não sobrevive só com a água da chuva. A rega é feita às 7 h e às 20 h, com fertirrigação.
No auge do calor, o consumo alcança os quatro litros diários por planta, sendo realizadas duas ou três regas. O clímax acontece entre o meio de julho e o final de agosto. Todas as instalações são regadas pelo método gota a gota por tubo autocompensador.
No inverno, as plantas não hibernam, mas ficam quase paradas. Para proteção, em novembro realiza-se um tratamento preventivo da geada, “uma goma gordurosa que não deixa congelar a seiva”, explica a responsável da empresa.
Os arbustos estão ao ar livre, mas têm uma cobertura que a protege da geada e, por ser perfurada, também dos raios solares intensos do verão – explica Eliana Silva. O pioneirismo traduziu-se naturalmente em erros. A construção de estufas obrigaria a um grande investimento, adianta a fruticultora.
As primeiras armações eram mais altas, menos funcionais, e a rede menos eficaz. As novas estão a um nível mais acessível e a rede protetora tem forma de arco, ajudando à escorrência da água.
Os primeiros cultivos foram feitos por propagação de semente. Eliana Silva diz que esse modo não resultou, uma vez que o ADN não se transmitia eficazmente à geração seguinte. Atualmente, a Green Center trabalha com micropropagação, a partir da seleção das melhores “mães”.
Essas plantas são cuidadas em estufa para o enraizamento, sendo preparadas antes de serem plantadas em definitivo, começando em vasos de dois litros. Após cerca de três semanas, as plantas seguem para o exterior, para se adaptarem às condições naturais, onde são regadas e protegidas por rede.
produtores de maracujá roxo - Vida Rural
Eliana Silva refere que a taxa de vingamento passou de 75%, em propagação por semente, para 98% através da micropropagação, que obedece a critérios de qualidade, calibre e resistência.
A produtora recomenda uma retancha, de 5% a 10%, no quarto ano de plantação. Quanto à taxa de sobrevivência, Eliana Silva adianta que o inverno de 2014/15 foi dos mais frios, com várias semanas de geada. A taxa de mortalidade foi de 7%, “o que é normal em qualquer cultura”.
10 toneladas por hectare
Quanto à produtividade, é ainda cedo para se saber quanto poderá vir a atingir. Para já, Eliana Silva aponta para 10 t/ha, mas admite que se possa chegar às 11 ou 12 t. Se se somarem todos os produtores, a região poderá chegar às 15 a 20 t.
Os preços variam entre os 3,5€ e os 5 €/kg. Eliana Silva sublinha que, diferentemente de outras frutas, onde o valor varia conforme a semana, praticamente foi conseguido um preço de campanha. Para a próxima época espera conseguir 5 €/kg.
Provavelmente por ser uma cultura nova, o maracujazeiro não regista grandes ameaças. Eliana Silva refere a antracnose nas plantas mais novas, mas afiança que não há grandes problemas.
Para depois dos maracujás, a Green Center está a avançar com novos investimentos, seguindo-se a aposta em pomares de lima. O que está plantado tem um ano, mas será preciso esperar mais dois. A área não é grande, cerca de 4000 m2, com cerca de 1000 pés.


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